Mostrando postagens com marcador História da Arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História da Arte. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de setembro de 2011

História da Arte: Arte Moderna

Estes são os textos de um módulo de arte moderna. Ele é simples, em parte porque tenta explicar algo que os alunos têm preconceito, e por isso se prende à técnicas, não escolas.
Técnicas da Arte Moderna

Ao contrário da arte tradicional, em que a habilidade, a técnica e a forma são o mais importante, dentro da arte moderna a mensagem, o significado e a inovação são o mais importante, nem sempre traduzido numa forma própria.
Apropriação
Apropriação é quando um artista, ao invés de criar um conceito ou imagem original, simplesmente se apropria de um conceito já existente. Por exemplo, um filme de faroeste, que utiliza-se de conceitos fartamente conhecidos(O caubói solitário, o deserto, etc) ao invés de criar conceitos desconhecidos ou quando alguém faz uma sátira a um filme já existente(exemplo, filmes como Todo Mundo em Pânico).
Dentro da arte moderna, a apropriação teve início com Marcel Duchamp, que colocou um bigode dentro de um postal da Mona Lisa. Ele não criou uma imagem, simplesmente se valeu da fama e do valor estético de uma imagem já existente – se você não conhece a Mona Lisa, ela não tem valor. Picasso e Salvador Dali também produziriam homenagens a quadros conhecidos. A chamada arte pop também se utilizaria dela, só que com elementos da cultura de massa – personagens de HQs, filmes e embalagens de produtos de supermercado(Vide a obra de Andy Warhol e Roy Liechenstein)..
A base da apropriação está em não só saber criar uma imagem diferente, mas em saber utilizar o valor já existente de uma imagem já existente. Pode ser uma sátira, uma homenagem, mas sempre usando uma imagem já existente.
A criação de softwares de tratamento de imagens permitiu que a apropriação fosse levada a extremos e de uma certa forma até vulgarizada.
Abstracionismo
Apesar da arte abstrata ser comum entre árabes e outros povos, na Europa o grande introdutor da arte abstrata é o russo Wassily Kandinsky. A arte abstrata não trabalha com o desenho de formas que lembram ou reproduzem objetos, pessoas ou coisas(Mesmo o desenho pouco detalhado e elaborado dessas formas não significa arte abstrata), mas com formas, linhas e manchas que não lembram figura nenhuma nem tentam ter um significado(Um adendo: Picasso costumava dizer que não havia arte abstrata, justamente por quê toda arte abstrata lembra alguma coisa).
Como lembrou o filósofo alemão Arthur Schopenhauer(Antes da arte abstrata ser desenvolvida no Ocidente) e posteriormente os pintores abstratos, a arte abstrata é como a música. A música, por mais que trabalhe com sons, não depende da imitação de sons da natureza, como granidos de patos, barulhos de carros ou passarinhos. A arte abstrata parte pelo princípio: criar composições agradáveis sem depender da representação de objetos já existentes na natureza(Se você desenhar uma vaca, boa parte das sensações que isso irá causar nas pessoas irá vir do fato de pessoas odiarem ou amarem vacas, não nos méritos do seu desenho.). Não significa rabiscos aleatórios, pelo contrário.
Arte abstrata exige composições agradáveis ou agressivas, mas que consigam transmitir emoções. Um quadro abstrato de composição pobre ou berrante não é um bom quadro, por exemplo.
http://farm1.static.flickr.com/41/118803710_f1c0a797de_m.jpgInstalação/Ready Mades
A instalação é uma variante da escultura em que o artista, ao invés de modelar ou esculpir uma figura, ele se utiliza de materiais diversos(Ex, Sucata, pedaços de metal, aço, estruturas de metal, etc) para criar uma estrutura dimensional, tendo ela um significado direto ou não.
A boa instalação não é um amontoado aleatório de objetos, mas uma estrutura que consiga fazer com que o espectador pense sobre determinado assunto ou seja impactado com isso. Ou seja, a instalação lembra determinada coisa ou assunto, ou faz o espectador lembrar de alguma coisa, ou ainda faz algum tipo de mensagem. Ou claro, criar uma estrutura impactante por si só.
Marcel Duchamp, ao inscrever um mictório dentro de uma exposição de arte(Em que qualquer quadro cujo o autor pagasse para entrar seria inscrito), criaria o conceito de ready made dentro da arte moderna, ao criar uma obra de arte que desafiava o próprio conceito de obra de arte: o mictório seria batizado de “A Fonte”(O mesmo nome de um quadro clássico de Ingres). Isso somado ao conceito das esculturas gigantescas e abstratas dos concretistas levaria ao advento das instalações na Década de 1970.
A base do conceito de instalação é juntar objetos que tenham uma determinada carga emocional por si só e criar uma composição de tons fortes, dando-lhe determinado significado ou fazer com que este conjunto implore por um significado. Por exemplo, Nuno Ramos, em 1993, criou uma instalação com paralelepípedos e betume como uma forma de protesto contra o Massacre na Casa de Detenção no Carandiru, naquele mesmo ano.
Se instalações sofrem críticas ferinas, muitas vezes por sua falta de coesão(Não raro instalações são confundidas com lixo e jogadas fora por faxineiros desavisados em galerias e piadinhas em cartuns de pessoas confundindo ar condicionados e extintores com obras de arte viraram clichê), elas permitem que o espectador tenha uma experiência artística diferente, em loco.
Vídeo-arte
A vídeo-arte é uma modalidade de instalação em que uma televisão com algum vídeo é enviada para alguma televisão. O vídeo pode fazer parte de uma instalação maior, ou ser uma apresentação sem relação nenhuma com outras obras no entorno.
Perfomance
A performance é uma modalidade de instalação que combina alguma apresentação corporal com a obra de arte em si. Geralmente é produzida pelo artista em ocasiões específicas, não representando todo o tempo de duração de uma exposição.
Multimídia
Multimídia é o nome que se dá para a instalação que trabalha com imagens e textos via algum recurso interativo, geralmente um programa de computador ou similar.
****
Contextualizando: Não é difícil contextualizar esse tipo de conteúdo. A arte abstrata é uma velha conhecida dos alunos e a apropriação pode ser ensinada com o uso de fotomontagem: os alunos misturam elementos de fotos diversas com recortes(Colocar, por exemplo, cabeças de animais em pessoas).
A instalação/ready made não é complicada: traga uma caixa cheia de sucata, e peça para os alunos fazerem o mesmo. Daí, em grupos, peça para eles montarem uma pequena instalação com esses elementos tendo instalações conhecidas como base. Mantenha um ambiente calmo e descontraído, sem exigir significados ou outras coisas complexas.Os trabalhos abaixo foram feitos por uma classe de EJA, mas creio que isso funciona bem em salas de Ensino Médio normal. Note que crianças até antes da Sétima Série têm dificuldade em distinguir arte abstrata e simbolismo atrás de quadros, portanto, não sendo muito apropriadas para esse tipo de trabalho.
Por fim, o segredo é se prender à técnicas, não à incontáveis escolas e artistas do período. Não é preciso falar de Naum Gabo. Alexander Calder, Op Art, Pop Art, etc.

Trabalhando História da Arte

Um assunto bastante complexo dentro das aulas de arte é a História da Arte. É uma área do conhecimento bastante abrangente, sendo que em grande parte parte da Europa e da América do Norte há cursos de graduação inteiramente dedicados ao assunto. Isso não só significa trabalhar com artistas consagrados, mas com artistas menores e muitos artistas medíocres. que, afinal de contas, representam bem um período(A pintura acima, por exemplo, é de Alexandre Cabanel, que foi professor de Renoir e do nosso Almeida Jr e um dos artistas mais valorizados do final do Século XIX). Uma aula de história da Arte com todos os mais conhecidos artistas do Barroco Holandês, incluindo não só Rembrandt e Vermeer, mas Wilhelm Kalf, os Ruysdael, por exemplo, entre vários outros, soaria cansativa para alunos do Ensino Fundamental e Médio.
Considerando também que isso deveria ser encaixado no meio do espaço de geralmente duas aulas, competindo com conteúdos diversos, uma abordagem cronológica soa incompleta, superficial e cansativa. (Ainda mais que numa área que as abordagens sofrem diversas alterações, muitos professores se prendem à abordagens de vinte, quarenta anos atrás). Muito de nós não notamos isso justamente porque a forma que nos foi apresentada História da Arte na faculdade geralmente está bem longe do ideal.
Pincelar movimentos e artistas específicos e conseguir integrar parte deste conteúdo às matérias de História e Português é o ideal(Embora, por mais que se fale em interdisciplinaridade, é difícil saber se seu colega de Português vai trabalhar Barroco na Literatura ou se seu colega de História vai trabalhar Antigo Egito). Mas trabalhar de forma cronológica e ampla é pouco produtivo.
Outro campo perigoso é o da contextualização com o fazer artístico. Querendo ou não, uma das razões que explicam porque um quadro vale milhões de dólares e porque determinado artista é considerado um gênio, bem, é que há conceitos complexos por trás de cada obra e a contextualização pode fazer com que esses conceitos pareçam simples.
Por exemplo, uma simulação mais ou menos próxima das técnicas do impressionismo significaria pintura ao ar livre sem uso do preto para fazer sombras representando as luzes com o máximo de naturalidade, sem trabalhar com esboços ou qualquer tipo de desenho. O problema é que muitos contextualizam esse tipo de pintura como pintura borrada, o que é bastante distante da realidade. Ou ainda o hábito de fazer bandeirinhas com quadros de Volpi, que vai contra a própria definição dele para arte(Ele dizia que não pintava bandeirinhas). Isso pode reforçar preconceitos ou ainda fazer com que os alunos criem rejeição aos artistas após cansativas sessões de releitura de determinada obra. Não há necessidade de se contextualizar todo tipo de atividade relacionada a desenho com algum período histórico, assim como não há necessidade de se colocar atividades relacionadas a desenho e pintura toda vez que se trabalhar com História da Arte.
É preciso sim, quebrar a tríade “História da Arte, Contextualizar e fazer” da proposta de Ana Mae Barbosa sempre que necessário. Na verdade, ela é muito mais perigosa que parece.