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sábado, 24 de setembro de 2011

Teatro: Improvisação

Muitos professores reclamam de trabalhar com teatro. A grande maioria que não fez cursos de artes cênicas acaba não trabalhando com isso. Um bom ponto de partida, mesmo que você não seja especialista, são as improvisações. Isso significa definir uma situação(Que pode ser uma simulação de uma discussão ou de qualquer outra coisa) e deixar que os alunos criem os diálogos na hora.
Situações absurdas por si só geram boa diversão(Embora isso aumente a rejeição dos mais velhos, já que muitos acham que estão fazendo papel de palhaço), mas por mais que seja difícil fazer com que todos os alunos participem sempre gera boa diversão. Esse tipo de atividade me foi passada para se trabalhar de Primeira à Quarta Série, mas funciona bem até no Ensino Médio (Dependendo, claro, da beliciosidade da turma).
Se você trabalhar com as séries iniciais, crie figurinos simples, com ou sem as crianças. Por mais que outros adultos achem os figurinos ridículos, as crianças adoram e irão brigar para participar. E claro, improvisação é uma atividade geralmente impopular entre muitos coordenadores, pais e outros professores porque é uma atividade feita para os alunos.
Não é uma peça cheia de maquiagem e badaluque para pai aparecer e fotografar, produzida após cansativos e exaustivos ensaios. É uma atividade feita para que os alunos se divirtam, se entrosem e produzam algo que eles gostem.
(Também são improvisações que podem ser usadas como dinâmicas entre adultos numa empresa ou reunião, por exemplo).
Entre algumas das situações que uso:
Prédio do Governo: Pegue quatro alunos, e coloque um na ponta do espaço cênico, outro no meio e um último na outra ponta. Eles serão respectivamente o setor um, dois e três de um prédio do governo e o quarto aluno é uma pessoa atrás de um documento(Pode ser certidão negativa ou RG) dentro do prédio. O setor um fala que não está ali e que a pessoa deve procurar no setor três. O setor três também fala que não está ali e que a pessoa deve procurar o setor dois, que claro, irá falar para a pessoa voltar para o setor um, repetindo-se a situação de forma kafkaniana.
A graça da situação é justamente desenvolver o conflito natural deste tipo de situação absurda.
Vendedor de Cachorro Quente: Um aluno é um vendedor de cachorro quente, outro é o comprador. O comprador vai reclamar que o produto está estragado e vai exigir seu dinheiro de volta, enquanto o vendedor irá ficar ofendido e se recusar. Daí, surge a discussão que é a lógica do escrete.
(Esta situação não fui eu quem desenvolvi).
Fada-Madrinha: É uma situação que funciona melhor com as séries iniciais(Em especial se você desenvolver uma roupa para a fada, nem que seja apenas um chapéu de EVA). Uma aluna é a Fada Madrinha, um aluno ou aluna é uma criança que pede dinheiro para ir à uma festa. A Fada, claro, se recusa, e o conflito surge daí. Um andar típico para a improvisação é:
- Fada-Madrinha do meu coração, a fada mais linda do mundo.
- Pois não…
- Sabe que é… Vai ter uma festa na minha escola…
- E daí?
- Daí que eu estava pensando… se você não poderia emprestar um pouco de dinheiro para que eu pudesse ir…
- Não. Você tem que aprender a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro.
- Só um pouquinho.
- Não.
- Por favor..(Se ajoelhando).. Eu faço o que você pedir…
- Eu vou transformar você num sapo!
- Por favor…
- Tenho que mais que fazer que aguentar criança chorona…
-Por favor(Pegando no pé da Fada).
(Sim, esta situação fui eu quem desenvolvi).
Médico: Um aluno representa um sujeito que vai ao médico, jurando ter uma dor em alguma parte do corpo. O médico insiste que o sujeito está bem, mas o paciente insiste em requerer um tratamento pois não aguentar de dor, e o médico insiste em dizer que tudo está OK.
Do ponto de vista cômico, há diversos tipos de improvisação. O segredo é descobrir os alunos mais extrovertidos para participarem, e tentar com isso incentivar o resto da classe.
EXTRA: Se você tiver uma classe realmente bem articulada e inteligente, em especial de Ensino Médio, e quiser botar para quebrar, você pode tentar duas improvisações: a simulação de debate eleitoral e a simulação de um tribunal de júri.
A simulação de debate eleitoral não é tão complexa: consiste em escolher dois alunos para representarem dois candidatos(Pode ser para presidente, prefeito ou diretor) e o professor serve de moderador. Os candidatos se apresentam e o moderador escolhe temas, que os candidatos irão discutir, com réplica e tréplica. Daí, no final, os alunos da platéia fazem perguntas aos candidatos e no final votam no ganhador(Pode ser por urna ou assinando uma lista de papel).
A simulação de júri é uma atividade mais complexa. Exige que um crime em especial seja bastante delimitado e todo um esforço para a criação de um juri e das simulações de procedimentos. É um atividade muito comum nos EUA, aonde isto é chamado de mock-trial, com alunos vestidos de ternos e gravatas e com campeonatos federais.(Como pode ser visto abaixo).
http://farm1.static.flickr.com/78/178786248_7b9a1eec95.jpg
Ambas as atividades podem ser enriquecidas se você tiver um professor de História ou Filosofia disposto a entrar na brincadeira e podem ser usadas numa exposição ou feira cultural. Mas o julgamento em especial exige uma estrutura bem mais complexa, enquanto o debate é mais trivial.

Representações da Paisagem

Bloco de Conteúdo
Arte
Introdução 
A paisagem, gênero artístico fundamental nas classificações da pintura, pode representar diferentes contextos de tempo e espaço e oferece aos observadores passeios imagináveis. Um dos períodos da História da Arte em que a paisagem fez-se muito presente é o impressionismo, movimento de pintura que se originou na França, nos anos 1860. À época, o interesse dos artistas era a busca e representação da luz natural e suas variantes, o que os levou a sair de seus ateliês em busca de paisagens à luz do dia para serem pintadas. Fascinados pela relação entre luz e cor, evitavam cenas religiosas ou românticas para se concentrar apenas nas paisagens e cenas do dia-a-dia. Uma mesma paisagem ou cenário era pintado várias vezes a partir das mudanças e impressões causadas pela incidência do sol. O educador pode exemplificar a temática por meio das obras do principal expoente do impressionismo, o pintor Claude Monet
– seu quadro “Impressão – Levantar do sol”, aliás, foi a inspiração para o nome do movimento artístico. Depois de conhecerem as obras dos artistas apresentados, o professor pode propor aos alunos que representem sua realidade usando a observação e a imaginação. 

Objetivos 
- Aguçar o olhar através do desenho de observação do entorno; 
- Imaginar novas realidades a partir do desenho;
 
- Fazer com que o aluno perceba diferentes realidades sociais.
 

Conteúdos 
- Desenho de Observação;
 
- Desenho de imaginação;
 
- Características e contexto da obra de Claude Monet.
 

Ano 
1º e 2º
 

Tempo estimado 
1 aula

Materiais Necessários 
O educador pode escolher reproduções de obras do pintor Claude Monet, artistas significativo do Impressionismo. Lápis grafite, lápis de cor. Giz de cera, papel Canson tamanho A3.
 

Desenvolvimento das atividades 
Tipos de paisagem 
O interesse nessa aula não é que o aluno tenha uma iniciação no ensino da história da arte e nem uma preocupação com a luz e suas representações. O período histórico é o foco do trabalho, pois a partir das imagens é possível apresentar levantar questões sobre tempo, localização, comparação da época, roupas, despertando um interesse pela obra de Monet. Há que se atentar que o assunto será abordado para crianças de 1ª e 2ª séries, algumas das quais não aprenderam nem a ler. O impacto visual das obras deve ser explorado.
 

A atividade é simples: depois de uma breve conversa sobre as obras de Monet, o educador deve fazer a entrega do material e pedir para que os alunos dobrem ao meio a folha de papel canson A3. Todos devem sair da sala de aula procurando espaços aonde possam sentar-se no chão e desenhar. A quadra ou o pátio da escola podem ser ideais.
 

A proposta é que os alunos representem, de um lado da folha, uma parte da escola que estejam observando. O educador pode pedir para que cada um escolha uma paisagem da própria escola para desenhar. Nessa fase, a abordagem é direcionada ao desenho de observação. No verso da folha, o educador pode pedir para que os alunos façam o mesmo desenho mas, dessa vez, interferindo com elementos que ele gostaria que estivessem presentes na produção, usando a imaginação. Pode ser necessário usar uma próxima aula para a atividade que envolve a segunda representação.
 

Outra opção de atividade, que pode ser feita com o mesmo material, é pedir para os alunos dividirem a folha ao e sugerir temas como a representação da paisagens rurais e paisagens urbanas ou mesmo situações que retratem a localização e a realidade dos alunos. Enfim, cabe ao educador buscar caminhos para despertar a imaginação e criatividade. Para finalizar, conversar com os alunos sobre suas produções e escolhas.

QUADRO DE ISOPOR

MATERIAL
1. Uma bandeja de isopor
2. Canetinhas coloridas
3. Um palito com ponta
4. Um pedaço de elástico bem fininho
5. Cola colorida

COMO FAZER
1. Faça um desenho, furando a bandeja com o palito.
2. Pinte os furos do desenho com canetinha colorida.
3. Com a cola colorida, faça a moldura do quadro.
4. Faça um furo de cada lado da bandeja para passar o elástico. Passe uma ponta do elástico em cada furo, dando um nó para não sair.
5. Agora é só pendurar o quadro pelo elástic
o.

Pintura com café

Uma coisa difícil de se trabalhar na escola estadual é com tintas. As tintas disponíveis nas papelarias frequentadas pelos alunos são ruins, a logística para se fazer com que cada um compre seu material é complicada e nem toda escola dispõe de tintas. Nisso, por que não tentar a pintura com café?
A pintura com café funciona muito próxima do nanquim aguado ou aquarela(Bem mais próxima da segunda), e apesar do cheiro ser um tanto que forte, é uma pintura que dura por um bom tempo. Tenho material feito com café guardado há anos. No caso, é só pedir para os alunos trazerem guardanapos, um pincel e copinhos, e você traz um sachê de café solúvel, daqueles bem baratinhos.
Quem já trabalhou com ecoline ou aquarela, bem, os cuidados são semelhantes. Evitar usar muita água para não acumular tinta/café, tenha um guardanapo à mão para secar e criar os claros e escuros.
Eu geralmente uso café solúvel ultraconcentrado em água, não sei como café normal fica. Mas geralmente uso uma proporção de 10 a 20% de pó de café, mas aqui foi usado bem mais.
A técnica usada é próxima da aquarela, só que o café seca um pouco mais devagar. No caso, você pode dividir a sala em grupos, com cada grupo mantendo um copo com café e outro com água pura.
Daí, há várias maneiras de se trabalhar com a tinta. Pode-se começar com uma linha feita com café(Demonstre, se possível, aos alunos).
Daí, é fazer uma nova fileira de água para misturar e criar as gradações de sombras e luzes.
Daí, peça para usarem os guardanapos para limparem os pinceis e misturarem as linhas com água e café para fazer as gradações. É uma técnica bem mais sofisticada que parece.

Oficina de percurso

Bloco de Conteúdo
Arte
Introdução
O aprendizado da arte não se esgota na aquisição de respostas e de regras. A aprendizagem inventiva possui duas características. Em primeiro lugar ela não se esgota na solução de problemas, mas inclui a invenção de problemas. Em segundo lugar, ela não é um processo de adaptação ao mundo externo, mas implica na invenção do próprio mundo. 
Virgínia Kastrup 

O contato dos alunos com a produção artística e a autonomia em relação ao fazer são determinantes na hora de planejar. Quando o professor considera as características do lugar em que vive e de seu grupo, a atividade ganha muito mais sentido, pois favorece a continuidade do percurso de criação pessoal. Por exemplo, se o grupo vive perto de um leito de rio que tem argila como matéria prima, então este material, muito abundante na região, pode fazer parte da atividade.
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Edição especial
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No início, é importante que os participantes apreendam o espaço, apropriem-se dele. O espaço precisa ter uma estrutura fixa, que vai sendo aos poucos organizado numa parceria entre professor e alunos. Pode ser na própria sala, num pátio coberto, no refeitório a escola. O nome da atividade, oficina de percurso, parte da idéia de que a sala de aula seja transformada em um ambiente propício e estimulante para o trabalho artístico pessoal, inspirado em ateliês de artistas. 

A regularidade é fundamental para este tipo de atividade, por isto é importante que a constância seja definida pelo professor e comunicada as alunos. Contar para eles qual é o dia da semana em que irá ocorrer, marcar em um calendário ou quadro de rotina as datas e horários, ajuda os alunos a se organizarem no tempo e projetar idéias.
 

Diferente das situações propostas pelo professor, na oficina de percurso são os alunos que pensam nas propostas, a modalidade e materiais que precisam para concretizar suas idéias.
 

Objetivos 
A oficina de percurso é uma estratégia fundamental para a construção e desenvolvimento do processo criador. 

Ano 
1º. ao 5º. ano
 

Tempo estimado 
Atividade permanente
 

Materiais necessários 
Meios: Os meios podem ser secos e aquosos. 

Secos: giz de cera, giz pastel, lápis de cor, lápis grafite, giz de lousa, caneta hidrocor. 

Aquosos: guache, anilina, nanquim, tintas de terra e outros pigmentos naturais. 

Suportes: papel (para ser utilizado como suporte e retalhos para recorte e colagem), papelão, tecido, madeira, lixa, revistas, jornais. Normalmente os suportes são retangulares, eles podem ser alterados e oferecidos em diversidade de tamanho, forma, cor, textura, gramatura. As esculturas também podem ter suportes diferentes, tais como papelão em diferentes formatos e cores, madeira, sucata. 

Para produção tridimensional: o trabalho tridimensional pode acontecer segundo dois princípios - modelagem e construção. Para a modelagem, alguns materiais possíveis são a argila, o papel, o algodão, o arame. Já para a construção a madeira e a sucata.
 

Ferramentas: pincéis, rolo, tesoura, palitos, martelo, esponjas, escova de dente, furador, grampeador, etc. 

Elementos de ligação e outros: cola, fita crepe, durex, fios, barbante, grampos de papel, prego. 

Elementos da natureza: terra, folhas, flores, sementes, pedras, cascas de árvores, galhos. 

Desenvolvimento das atividades 
Aula 1 
- Organize uma bancada com materiais variados para que os alunos façam escolhas do que desejam realizar. 

Para que as escolhas aconteçam de maneira autônoma, é necessário que os materiais oferecidos sejam conhecidos, que tenham sido utilizados em situações de propostas. Desta maneira, os alunos poderão aprofundar suas pesquisas em relação aos meios, suportes e ferramentas, de acordo com seu desejo, desenvolvendo pesquisas pessoais.
 

- Selecionar materiais de pelo menos duas modalidades
– desenho e colagem, por exemplo 
Uma gama reduzida de meios, suportes e ferramentas pode ser selecionada segundo critérios de possibilidades de novas combinações e descobertas, favorecendo a familiarização e um movimento autônomo na criação.
 

- Organizar a primeira oficina, para que sirva como referencia para as seguintes
 
Uma estrutura fixa pode ser organizada aos pouco e de modo compartilhado entre alunos e professor.
 

Professor e alunos podem pensar juntos:
 
- Quais os materiais poderão estar disponíveis?
 
- Como ficarão dispostos?
 
- Como as carteiras podem ser reorganizadas?
 
- Os bancos do pátio podem servir de bancadas?
 

Ver imagens de ateliês pode ajudar na concepção do espaço e organização dos materiais O professor vai orientando para que os materiais sejam organizados por tipos.
 

Assim, neste primeiro contato com a oficina de percurso, um longo tempo precisa ser dedicado à apresentação da atividade, mas os alunos também precisam experimentar o que significa estar em oficina, por isto é importante reservar pelo menos meia hora para a realização de trabalhos pessoais. Solicitar que conforme forem finalizando os trabalhos, pendurar em varal para que possam ser apreciados posteriormente.
 

É importante orientar para que peçam apoio dos colegas durante a produção, e se necessário, do professor.
 

O professor deve observar os alunos durante toda a atividade, fazendo intervenções individuais, conforme identifique a necessidade. Estas intervenções podem ser para dar apoio técnico, para conhecer mais o processo de cada um, para indicar caminhos e debater sobre idéias.
 

Aula 2 
Apreciar os trabalhos realizados na oficina anterior pode ser um bom encaminhamento para a continuidade do processo iniciado. 

Proponha aos alunos que compartilhem escolhas, conquistas e resultados. É importante que o professor analise antes da aula os trabalhos que serão apreciados, para planejar boas perguntas sobre eles. Não é necessário apreciar todos os trabalhos. Pode ser feita uma seleção dos que serão apreciados a partir de diferentes critérios, de acordo com o objetivo da apreciação.
 

Para uma primeira apreciação, uma sugestão é apreciar as modalidades que foram consideradas na oficina - desenho, pintura, colagem, escultura - e as possibilidades de combinação de modalidades e mistura de materiais, ou seja, o caráter experimental da atividade. Isto não significa que os alunos que preferem trabalhar única e exclusivamente com uma modalidade e material não possam realizar trabalhos de qualidade. Ao contrário, esta pode ser a idéias de uma próxima apreciação. Outra possível é debater sobre o tempo de realização de cada trabalho. Enquanto em uma oficina alguns alunos realizam mais de um trabalho, outros podem levar algumas aulas para finalização, o que precisa ser reconhecido entre os alunos como marca pessoal.
 

Outras sugestões de propostas para apreciação:
 
- Diante dos trabalhos de todo grupo, conversar sobre o processo de cada um, como tiveram a idéia do trabalho, mudanças no percurso.
 
- Selecionar um trabalho de cada modalidade, de alguns alunos, para debater sobre as suas características, os materiais utilizados, outras possibilidades.
 
- Selecionar alguns trabalhos na mesma modalidade, de diferentes alunos, para observar semelhanças e diferenças, e trocar possibilidades dentro da mesma modalidade.
 
- Selecionar vários trabalhos do mesmo aluno para observar marcas pessoais
 
- Trazer imagens de trabalhos de diferentes procedências para estabelecer diálogos entre a produção dos alunos e de outros agrupamentos.
 

Sucessivas apreciações, quando cuidadosamente planejadas, ajudam os alunos a aprender a falar sobre o que fazem, para além de bonito, feio, gostei de fazer, legal. Além disso, as propostas de apreciação favorecem a valorização da própria produção e a de outros.
 

Após a apreciação, que pode ocupar aproximadamente 20 minutos da oficina de percurso, partir para a produção. A oficina já deve estar organizada, na mesma estrutura da aula anterior, apenas com as modificações necessárias para tornar o espaço e organização de materiais mais adequados. Munidos das informações que circularam durante a apreciação, cada aluno pode partir para sua pesquisa artística pessoal.
 

Aula 3 
Conforme a aquisição de autonomia para a criação for crescendo a gama de materiais devem ser ampliadas e a freqüência das oficinas de percurso bem como o tempo de duração da atividade também. 

Além do desenho e colagem, podem ser incluídos materiais para realização de pintura. Quando uma nova modalidade passa a integrar a oficina, os alunos precisam ser comunicados e o espaço reestruturado para comportar esta alteração sem prejudicar a organização e a autonomia dos alunos. Para a pintura, podem ser reservados diferentes espaços, por exemplo, sobre a mesa, no chão para grandes formatos e na parede para aqueles que preferem pintar na vertical. As diferentes possibilidades de posição do suporte implicam em diferentes gestos para pintar, por isto, é importante que os alunos conheçam estas possibilidades também na situação de propostas (seqüência didática).
 

Produto final 
Exposição de pelo menos 3 trabalhos de cada aluno que revelem suas marcas pessoais. Pode fazer parte da exposição um pequeno texto escrito pelo próprio aluno, para que conte aos visitantes algumas características de seu processo criador. As visitas podem ser acompanhadas pelos próprios alunos que podem fazer relatos sobre seu processo. Uma oficina de percurso pode ser oferecida aos visitantes, para que eles experimentem também esta estratégia.
 

Avaliação 
É importante que ao longo de quatro oficinas de percurso, todos os alunos possam ser observados durante o processo. Quanto mais o professor conhecer características do percurso de cada aluno, mais precisas serão suas intervenções.
 

Avaliações do grupo todo precisam ser realizadas periodicamente, uma vez que as oficinas de percurso revelam o que os alunos sabem e o que mais precisam saber. Por exemplo, se o professor observa que nas colagens realizadas por alunos que escolheram trabalhar nesta modalidade, que podem conhecer mais possibilidades e procedimentos, o professor pode planejar uma seqüência para todos os alunos que favoreça um aprofundamento em relação a modalidade.


MOSAICO DE CREPON EMBOLADO

Modalidade / Nível de Ensino
Componente Curricular
Tema
Ensino Fundamental Inicial
Artes
Arte Visual: Produção do aluno em arte visual
Educação de Jovens e Adultos - 1º ciclo
Estudo da Sociedade e da Natureza
Cultura e diversidade cultural


Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
 Produzir plasticamente uma proposta individual em mosaico com papel crepon, buscando o fazer artístico contextualizado à dinâmica de relaxamento corporal e mental.Ø
Duração das atividades
•Seis aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

• Desenho;
• Colagem;
• Noções básicas de mosaico.
Estratégias e recursos da aula


Aula 1
 Programe uma dinâmica de modo a favorecer a imaginação dos alunos para desvelarem elementos gráficos variados, voltados às questões ambientais. Sugestão:
Ø
“Viagem Mental”
Retire as mesas da sala de aula ou busque no ambiente escolar um espaço onde os alunos possam deitar, fechar os olhos e interiorizar a sua fala. Assim que os alunos estiverem cientes da proposta, solicite o silêncio e a postura necessários para uma atividade desse nível. Coloque um fundo musical suave e inicie:
*Procure esquecer que você está aqui na escola. Feche seus olhos, respire suavemente e deixe-se levar pela minha voz. Sinta seu corpo e busque uma posição confortável. Procure não dormir. Mantenha–se atento à dinâmica, porque ela te conduzirá à sua próxima produção plástica. Preste atenção na sua respiração. Inspire, como se estivesse cheirando uma flor. Expire como se apagasse uma vela. De va ga ri nho!!! De novo, repita: Cheirando a flor... Apagando a vela. Mais uma vez: Cheirando a flor... Apagando a vela. Pois bem, agora que você está relaxado, procure estar atento a si e esqueça onde está, quem está à sua volta e o que estará fazendo ou pensando o colega do seu lado. Ouça a música e siga a minha condução. Estamos nos aproximando de um lugar desconhecido. Ainda temos uma caminhada por entre sombras de lindas árvores. À nossa esquerda, um riacho refresca esse dia de sol forte e brilhante. A água desse riacho é límpida, transparente. Nas margens dele, há várias espécies de plantas... Flores de tantas cores... e borboletas pulam entre elas, como se bailassem com seus deliciosos perfumes. Ouvimos o canto dos pássaros... lindos... muitos e coloridos! À nossa frente, encontramos crianças brincando felizes e silenciosas. Elas usam fantasias diversas e parecem gostar de viver ali. Pergunto se podemos entrar na brincadeira e elas concordam positivamente. Ali brincamos das mais variadas formas e jogos. Coisas que nunca vimos e nem conhecíamos. Uma delícia estar ali. De repente, chega alguém, em um carrossel, distribuindo objetos interessantes e super coloridos. Percebemos que as crianças que moram ali comem aquilo e então ficamos curiosos para experimentar. Verdadeiras delícias. Caímos na água e brincamos de jogar água para cima. Peixinhos aparecem e acho que querem brincar conosco. É uma algazarra. Mas ali não há barulho, nem fumaça, nem gente grande! A alegria é tanta que nem percebemos que é hora de voltar. Que pena! Vamos nos despedindo desse tempinho que passamos ali. Voltamos a respirar suavemente. Contamos até dez: Um, dois, três... dez! Vamos espreguiçando, abrindo os olhos devagarinho... Estamos de volta aqui.
 Converse sobre o sentimento de cada um, socializando as vivências;Ø
 Entregue um papel sulfite e um lápis e solicite que registrem em croqui, o momento vivenciado, destacando os elementos que mais chamaram atenção;Ø
 Recolha os croquis para utilização na aula seguinte.Ø

Aula 2
 Socialize na turma os croquis construídos na aula anterior;
Ø
 Convide os alunos para uma aula no Laboratório de Informática, objetivando a criação de um Banco de Dados com as imagens de mosaicos;
Ø
 Os alunos trabalharão em grupos de três, buscando imagens que remetam à viagem mental feita, ou seja, figuras de aves, animais, céu, sol, riacho, elementos da natureza, crianças... Estes deverão salvar a pesquisa em um CD ou pendrive e entregar à professora no final da aula.
Ø

Aula 3
 Organize, previamente, as imagens selecionadas/pesquisadas pelos alunos e monte um banco de dados para apresentação em Power point, de modo a subsidiar o trabalho plástico que será proposto;Ø

Apresente à turma o Banco de Dados construído com a contribuição de todos;Ø
 Realize a apreciação das imagens, destacando o material usado em cada uma delas e o elemento tema do trabalho. Ex: Flor, animal, paisagem...
Ø
 Solicite aos alunos para que observem os croquis elaborados na aula anterior e façam um desenho definitivo para ser trabalhado em mosaico, utilizando lápis de cor e papel sulfite.
Ø
 Entregue uma placa de papelão (papel pinho, papel cartão ou similar – qualquer papel mais encorpado) e peça que transfiram a imagem desejada (desenho definitivo) para este suporte.
Ø

Aulas 4 e 5

 Converse com a turma sobre o que é mosaico e apresente um conceito para registro no portfólio individual. Sugestão:Ø
 Mosaico – A arte de elaborar padrões e imagens através da organização de fragmentos coloridos de vidro, mármore e outros materiais adequados, fixando-se a uma base de cimento ou argamassa. Seu primeiro desenvolvimento extensivo deu-se em Roma, na decoração de pavimentos. Trata-se de técnica muito apropriada ao adorno de paredes e abóbodas, e foi muito empregada nas igrejas cristãs da Itália e do Império Bizantino durante toda a Idade Média. Como decoração de exteriores, figura por vezes nas fachadas medievais e de alguns edifícios modernos. Mais raramente, o mosaico é usado para compor imagens portáteis ou como incrustação em peças de mobiliário e outros objetos, como na arte asteca do México. (CHILVERS, Ian. Dicionário Oxford de Arte. 2ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 364)
v
 Disponibilize retalhos de papel crepon em várias cores e cola. Os alunos deverão rasgar e embolar – fazer bolinhas pequenas, matéria prima para a construção do mosaico, e aplicar/colar sobre a imagem (desenho no papelão), cuidando para não perder o traço, ou seja, respeitando-se os limites da linha e da forma;Ø
 Ressalte a importância de se respeitar o traçado na colagem das pecinhas (bolinhas de papel);
Ø
 Chame a atenção para “Figura e Fundo”.
Ø
Aula 6
 Conclusão e exposição da produção poética-visual dos alunos em mosaico com papel crepon embolado;
Ø
 Alguns trabalhos produzidos:
Ø

Recursos Complementares

 Suporte – Material que serve de base – o papel para o desenho, a tela para a pintura, etc. (SANTOS, Denise. Orientações Didáticas em Arte Educação. Belo Horizonte: C/Arte: FHC/Fumec, 2002. p.92).v
 Portfólio - Portafólio, em português; introduzido na didática da aula de arte inicialmente como caderno de arte e/ou dossiê - longe de ser um álbum para colar as práticas artísticas como se vê em algumas escolas. “Nesse contexto de mudanças nas concepções sobre o ensino e a aprendizagem em arte, o portfólio, retirado do campo da arte, aparece como uma modalidade de avaliação que começa a se difundir nos âmbitos escolar e universitário. Abriga um processo de seleção e ordenação do desempenho criativo que reflete a trajetória de aprendizagem de cada estudante e que, além de colocar em evidência o seu percurso e refletir sobre ele, possa contrastá-lo com as finalidades do seu processo e as intenções educativas e formativa dos docentes a partir do contrato firmado entre as partes quando da apresentação da proposta, pois o portfólio baseia-se na natureza evolutiva do processo de aprendizagem, apresentando-se como algo mais do que uma recompilação de trabalhos ou materiais colocados numa pasta. É um percurso, uma trajetória, de modo algum, único(a) e solitário(a). Para tanto, Fernando Hernández sugere que o portfólio seja apresentado e negociado no início do período letivo, pois é uma trajetória de reflexão. É também uma forma de avaliação dinâmica realizada pelo próprio estudante e que reflete seu desenvolvimento e suas mudanças através do tempo. É de propriedade do estudante, uma forma de refletir sobre a formação na ação, propiciando a integração teoria e prática. Sendo assim, o diálogo com o portfólio é uma estratégia possível para abordar sua avaliação e esta, um acesso vinculando pesquisa, ensino e processo de aprendizagem, aspectos que poderiam validar a arte e o ensino de arte não só nos meios acadêmicos, como deflagrar uma conscientização do seu papel a toda a sociedade brasileira. O presente instrumento pode desvelar uma sintonia entre processo e criação plástica, entre percurso e metas, entre expectativa e construção de repertório, entre fazer artístico e poética. Enfim, o portfólio é um recurso e um meio através do qual diálogos se presentificam, autoria, produção e mediação se inter-relacionam buscando o prazer estético. Ressalta-se algumas palavras-chaves corporificadas nesse processo avaliativo, apresentando-se híbridas, mescladas, interativas para compor um todo em arte e conhecimento de arte. São elas: escolha e saberes, procedimentos e processo, registro e documentação, aluno/professor - relação. Acredita-se que são atitudes que contribuem para a formação do ser crítico, plural e cônscio do seu papel de espectador, produtor e fruidor, numa educação que talvez falte ao ensino de arte, o fator intercultural, conectando a experiência do cotidiano, a crítica social e a expressão criativa”. (LELIS, Soraia Cristina Cardoso. Poéticas Visuais em construção: o fazer artístico e a educação (do) sensível no contexto escolar. Dissertação de Mestrado, Instituto de Artes/UNICAMP/ Maio/2004, p. 60-1).
v

Avaliação

• Acredita-se que em um processo contínuo, as trocas e reflexões acerca da fruição e da produção artística pelo viés da História da Arte, atribuem mérito à produção do conhecimento em arte e contribuem para a construção do repertório e vocabulário plásticos. Neste sentido, o ensino de arte deve buscar a educação estética, entendendo a avaliação em Arte como processual e qualitativa, não visando apenas a um resultado final.

Recursos educacionais
Nome                                              Tipo
Aula expositiva                                Teórica
Apreciação de imagem                     Teórica
Desenho                                         Prática
Construção de Mosaico                     Prática