sábado, 24 de setembro de 2011

Projeto Contos de Assombração

Justificativa:
Através dos contos de assombração será possível ampliar o conhecimento dos alunos sobre as diferentes culturas e igualmente estar desenvolvendo o vocabulário. No decorrer do projeto, será incentivado o gosto pela leitura e imaginação através das leituras e atividades propostas.
Objetivo Geral:
           
 
Desenvolver um projeto criativo para a semana de prática, trabalhando diferentes mitos da América Latina e trazendo uma bagagem cultural para os alunos.
Objetivos Específicos:
  • Desenvolver a criatividade;
  • Despertar a imaginação;
  • Motivar a curiosidade;
  • Aprimorar o vocabulário e habilidades lingüísticas;
  • Reflexão através dos contos.
Contos selecionados para o desenvolvimento do projeto:
  • Maria Angula - Equador
  • A sombra negra e o gaúcho valente - Argentina
  • As lágrimas do Sombreirão - Guatemala
  • O tesouro enterrado - Peru
  • Abad Alfau e a caveira - República Dominicana

1° Atividade
Trabalhando o primeiro conto: Maria Angula.
  • Leitura do conto em voz alta para a turma.
  • Organizar os alunos em pequenos grupos, com quatro integrantes, para realizarem a atividade, o jogo “Criando Histórias”. (Anexo)
  • Apresentar os trabalhos para a turma e realizar uma votação para a história mais criativa.
2° atividade
Trabalhando o segundo conto: A sombra negra e o gaúcho valente.
  • Leitura do conto em voz alta para a turma.
  • Distribuir folhas de desenho para a turma criar uma ilustração para a capa do conto.
3° Atividade
Trabalhando o terceiro conto: As lágrimas do Sombreirão.
  • Leitura do conto em voz alta para a turma.
  • Após a leitura, teremos a sessão pipoca. Assistiremos ao filme “Deu a louca nos monstros”. Neste dia eu levarei pipocas e refrigerantes para a turma.
4° Atividade
Trabalhando o quarto conto: O tesouro enterrado.
  • Leitura do conto em voz alta para a turma.
  • Após a leitura, entregarei para os alunos o conto “Quando os Vilões se Encontram” (José Roberto Torero) para que eles continuem o conto. (Anexo)
  • 5° Atividade
    Trabalhando o quinto conto: Abad Alfau e a caveira
    • Confeccionar um esqueleto de cotonetes.
    Recursos utilizados:
    • Folhas de desenho;
    • Folhas ofício;
    • E.V.A;
    • Cotonetes;
    • CD’S;
    • Cola e tesoura;
    • Lápis de cor e canetinhas.
    Avaliação
                Será avaliado no decorrer do projeto a participação, interesse, envolvimento e dedicação da turma. A cooperação do grupo também será avaliada.
    Culminância
                Será criado por cada aluno um amuleto da sorte que será utilizado para proteção contra monstros e fantasmas.  O amuleto será de CD’S velhos (que eu ficarei responsável em levar); os alunos deverão pintar com tinta ou colagem de papéis os CD’S para depois colocarmos num cordão para serem pendurados no pescoço. Esta atividade poderá ser desenvolvida no pátio da escola, se possível.
    Referências
    Revista Nova escola. Edição número: 213. Junho/Julho 2008.
    Anexo
    Segue em anexo a proposta da 1° atividade, o jogo “Criando Histórias”. Cada grupo receberá uma tabela e um dado; um aluno ficará responsável por escrever a história; cada integrante do grupo deverá jogar o dado na tabela para serem determinados os passos da história.
    Segue em anexo o texto que será trabalhado na 4° atividade:
    Quando os Vilões se Encontram (José Roberto Torero)
                Estavam todos lá. Pense num, em qualquer um, e ele estava lá. O Capitão Gancho? Lá. A madrasta e as irmãs de Cinderela? Lá. A Rainha Malvada de Branca de Neve? Também. A Bruxa Má do Oeste? É claro que estava lá.             E isso sem falar em Dick Vigarista, Freddy Krueger, Coringa, Darth Vader, Mancha Negra, Lex Luthor, Cavaleiro Negro e mais algumas bruxas, uns dragões e outros monstros.             Era a Reunião Universal dos Inimigos Malvados, a R.U.I.M.             Todos chegaram à meia - noite em ponto ao Salão Negro do Castelo das Assombrações.              O Lobo Mau, que era o presidente da associação, tomou a palavra e disse:              - Caros vilões, estamos aqui reunidos por um motivo muito importante: ninguém respeita nossos direitos. Em todos os finais de história nós apanhamos e perdemos, sempre. Basta! Precisamos lutar contra isso! Precisamos virar a mesa, certo?             - Certo! - gritaram todos.             - Pois bem, meus amigos, e para lutar pelos nossos direitos proponho que fundemos um partido político, o PPPP: Partido dos Pulhas, Patifes e Pilantras! Quem estiver de acordo levante a mão, o gancho ou o rabo.             Imediatamente todos os vilões levantaram alguma coisa.
                - Então, meus caros - continuou o Lobo Mau -, solenemente declaro fundado o PPPP. Com ele, em breve vamos concorrer aos principais cargos públicos. Seremos vereadores, deputados e senadores, governadores e prefeitos. Talvez até façamos o presidente!             “Urruuuuu!”, “Éééééé!”, “Fiiiiiiu!”, “É nóis!”, urraram, assobiaram e gritaram os vilões, entusiasmados.              Nesse instante, o Lobo teve a idéia do slogan de sua candidatura:              “Lobo Mau: ninguém gosta mais de vovozinhas do que ele”.             Muitos outros vilões também começaram a imaginar como seriam suas campanhas.             Por exemplo...
    Maria Angula
    Maria Angula Maria Angula era uma menia alegra e viva, porém era louca por uma fofoca e vivia arranjando brigas com os amigos. Assim viveu Maria Angula até seus dezesseis anos de idade, dedicada a arrumar confusão entre os vizinhos, sem ter tempo para aprender a preparar pratos deliciosos. Ela logo se casou e começaram os seus problemas. No primeiro dia o marido lhe pediu uma sopa de pão com miúdos, mas ela não tinha a menor idéia como prepara-la. Mas ela lembrou-se que sua vizinha era uma grande cozinheira e correu até lá. __Cara vizinha, a senhora sabe fazer uma sopa de pão com miúdos? __ Claro dona Maria. É assim: primeiro coloca-se o pão de molho em uma xícara de leite, depois despejá-se este pão no caldo e, antes que ferva, acrescentam-se os miúdos. __Só isso? __Só vizinha! __Ah, mas isto eu já sabia! Logo saiu correndo para a sua casa afim de não esquecer a receita e preparar o jantar. No dia seguinte o marido lhe pediu um ensopado de batatas com toicinho e a historia se repitiu muitas e muitas vezes. Como isto acontecia todas as manhãs a Dona Mercedes resolveu dar uma lição em Maria Angula. Pensando nisto Maria Angula adentrou a sua casa e perguntou: __Dona Mercedes você sabe como preparar um caldo de tripas com bucho? __Ah, mas isto é muito fácil. Vá para o cemiterio, espere chegar o difunto mais fresco do dia e arranque-lhe as tripas e o estomago, lave-os muito bem e cozinhe-os com água, sal e cebolas. Sem esperar muito logo ela foi e mais ou menos meia hora depois estava divolta a sua casa preparando o jantar. Seu marido que não sabia de nada comeu o 
jantar lambendo os beiços.

Nesta mesma noite, enquanto Maria Angula e o marido durmiam escutava-se uns barulhos esquisitos nas redondezas. Maria Angula acordou e escutou uns rangidos nas escadas e eram os passos de alguém que subia em direção ao seu quarto. A porta foi se abrindo devagarmente e era o difunto que ela havia arrancado o estomago e as tripas. E ele logo começou a falar:

__Maria Angula devolva as minhas tripas e o meu estomago que você roubou de meu corpo.

Maria Angula com medo se cobriu com a coberta, mas sentu umas mãos ossudas puxarem sua pernas.

No dia seguinte quando Manuel acordou, não encontrou mais a esposa e ninguém jamais soube do seu paradeiro.

Lágrimas do Sombreirão - Gilmar

Em um pequeno povoado ao sul do México, vivia uma moça chamada Celina. Filha de um casal de fazendeiros, ela era belíssima. Cabelos loiros como braços do sol de meio-dia. Pele alva como o cume das montanhas ao longe. E ajudava os pais nas lidas rurais, sem perder o brilho do olhar e o bom humor.

Tanta beleza era motivo de excesso de assédio na aldeia. Os homens, sequiosos por um olhar da jovem, paravam-lhe na frente, oferecendo a ela uma vida farta e plena de conforto. Mas a todos ela desdenhava de forma sutil, sem grosserias. Seu sorriso de negação não causava dor profunda.
Ia a rotina sem maiores alardes. Um dia, apareceram algumas mulas, carregando sacos de carvão, presas em um poste. As pessoas do vilarejo se assustaram. Era sinal de que o Sombreirão estava por perto. A lenda corria solta na zona rural do país. O Sombreirão era um homem baixo, dono de um sombreiro enorme, que vagava junto ao seu violão e às mulas. Contam que a melodia saída do dedilhar dos dedos do Sombreirão é capaz de hipnotizar jovens que se deixam levar pelas canções de amor impossível.

Por isso, o alvoroço se instalou no local. Todos se retiraram para suas casas antes do anoitecer. Quando a lua está a pino, o Sombreirão aparece e toca o violão. A mãe de Celina, nervosa e apreensiva pela filha, tranca-a no quarto. Celina tenta conversar, mas em vão. Resignada, deita na cama e olha para a vela. Ainda era muito cedo para deitar-se. O que estaria acontecendo? A mãe sempre lhe falava tudo, mas agora todos falavam furtivamente. Celina podia ouvir apenas sussurros.

Cansada de ficar à espreita, a moça prepara-se para dormir. O travesseiro fofo ser-lhe-ia a única companhia, quando levanta e se dirige à janela. Uma melodia ao longe teimava em entrar noite adentro. Encostou o ouvido às grades. A música era linda. A voz doce cantava ao longe: “Meus olhos caminham junto ao luar, vão seguindo par a par, ao te ver passar”.

Adormeceu ouvindo os versos românticos. Acordou curiosa, perguntou a todos se ouviram a música da noite anterior. Ninguém tinha ouvido. Levantou-se, disse que ia para a roça. Mentiu, saiu pelas ruas à cata do cantor da melodia inesquecível. Caminhou tanto, até os pés ficarem vermelhos e com bolhas. Seus pais, preocupados, procuravam por ela. Junto a amigos, encontraram-na chorando, atrás de um canavial.

As perguntas saíram antes das broncas. A preocupação era tanta que esqueceram de ralhar com a jovem. Celina não parava de chorar e perguntava aos moradores se haviam ouvido a música.
Logo perceberam que a moça estava sob feitiço do Sombreirão. Sem pestanejar, a mãe de Celina trancou-a na igreja. A sabedoria popular dizia que fantasmas ou forças ocultas não entram em recintos sagrados.

Assim feito, respiraram aliviados. A família da moça ia visitá-la todos os dias, levando comida e roupa. Celina não comia, estava inerte. Não respondia aos rogos da mãe. Não mais falava na música. Estava triste por tê-la perdido.

A semana passou e a bela Celina ficara mais fraca. Doente, os olhos sequer se moviam. As mulas continuavam vagando pela cidade. O Sombreirão buscava a jovem. Sabia que ela havia sorvido o seu dedilhar. E a procurava, sem êxito.

No sétimo dia, Celina amanheceu morta. Pálida, não havia dormido a noite. Olhava para a cruz, perdida em um ponto qualquer do rosto de Cristo. A mãe da moça a embalava nos braços, chorava pela morte prematura de um esplendor de candura e juventude.

O corpo da jovem imediatamente foi envolvido em um tecido transparente. Uma bela esquife tinha sido encomendada às pressas e, no fim da tarde, já estava pronta. A vila inteira acompanhou o cortejo de Celina até o alto cemitério. A lua ensaiava aparecer, o céu estava avermelhado no horizonte.

Quando se preparavam para colocar o copo da moça na sepultura, uma voz chorosa fez-se ouvir, cantando alto: “Oh, coração de pau santo, meu lindo ramo de limão florido. Por que deixai esquecido a quem sempre te quis tanto”. Os olhos do cortejo procuravam o dono da melodia e se depararam com o Sombreirão e suas mulas.
O padre tentou avançar, o canto do homem o impediu: “Amanhã, quando te fores, sairei pelos caminhos, a cobrir teu rastro com lágrimas e suspiros”. Depois disso, foi-se o baixinho, carregando atrás as mulas e sumindo em uma trilha de névoa.

Estarrecidos, os moradores jamais esqueceriam o cortejo funesto da jovem Celina, vítima de um amor impossível...


Numa das ruas que davam na pracinha de Belém, na antiga cidade de Huaraz, havia uma casa dos tempos coloniais que sempre estava fechada e que vivia cercada de mistérios. Diziam que estava repleta de almas penadas, que era uma casa mal-assombrada.
Quando esta história começou, a casa já havia passado por vários donos, desde um avaro agiota até o padre da paróquia. Ninguém suportava ficar lá.
Diziam que estava ocupada por alguém que não se podia ver e que em noites de luar provocava um tremendo alvoroço. De repente, ouviam-se lamentos atrás da porta, objetos incríveis apareciam voando pelos ares, ouvia-se o ruído de coisas que se quebravam e o tilintar de um sino de capela. O mais comum, porém, era se ouvirem os passos apressados de alguém que subia e descia escadas: toc, toc, tum; toc, toc, tum... As pessoas morriam de medo de passar por ali de noite.
Certo dia, chegou à cidade uma jovem costureira procurando uma casa para morar. A única que lhe convinha, por ficar no centro, era a casa do mistério. Muito segura, a tal costureira afirmou que não acreditava em fantasmas e alugou o imóvel. Instalou ali a sua oficina, com uma máquina de costura, um grande espelho, cabides e uma mesa de passar a ferro.
Com a costureira moravam uma moreninha chamada Ildefonsa e um cachorrinho preto, de nome Salguerito. E foi o pobre do animal que acabou pagando o pato, pois o fantasma da casa decidiu fazer das suas com ele: puxava-lhe o rabo, as orelhas, e vivia empurrando o coitadinho. Dormisse
dentro ou dormisse fora da casa, à meia-noite Salguerito se punha a uivar de tal modo que dava medo. Arqueava o lombo, se arrepiava todo e ficava com os olhos faiscando de medo. Só dormia tranqüilo na cozinha, ao pé do pilão.
As pessoas costumavam ir bisbilhotar para ver como era a tal costureirinha e saber como aqueles três estavam se arrumando na casa mal-assombrada.
As duas mulheres não demonstravam em absoluto estar assustadas nem se davam por vencidas. A única coisa é que tinham que dormir com a lamparina acesa e com o cão na cozinha.
O fantasma acabou se cansando de infernizar o animal, mas começou então a deixar suas marcas na oficina da costureira: o espelho entortava sem que ninguém o tocasse; a máquina de costura começava a costurar sozinha; os carretéis caíam e ficavam rolando no chão; desapareciam as tesouras, o alfineteiro, o dedal e o caseador; as mulheres sentiam a presença de alguém que as seguia o tempo todo e, às vezes, o espelho ficava embaçado, como se alguém estivesse se olhando muito próximo dele.
Várias vezes o padre passou pela casa levando água benta, mas o copinho onde ela ficava sempre aparecia misteriosamente entornado.
– Isso não é coisa do diabo – esclareceu o padre. – As coisas do diabo se manifestam de outra maneira e acabam com água benta, invocações ou com a santa missa.
Com isso, as mulheres ficaram mais tranqüilas.
– O que eu acho é que deve haver alguma coisa enterrada por aí. Dinheiro ou jóias guardados em algum lugar. Talvez alguma alma penada queira mostrar a vocês o lugar em que está o tesouro para poder repousar em paz e, neste caso, é preciso ajudá-la – sentenciou o padre.
Havia, nessa época, pelas bandas de Huaraz, um homem que se dedicava a procurar tesouros, cujo nome era Floriano. Era famoso e possuía uma larga experiência nesse tipo de trabalho. Chamaram-no muito em segredo e, certo dia, chegou sem que ninguém soubesse. Entrou na casa recitando rezas e súplicas, mascando coca, fumando cigarros e queimando incenso:
– Alma abençoada, sabemos que estás aqui e que nos ouves. Se queres alcançar o reino da paz, mostra-nos onde está enterrado o tesouro. Usa os sinais que quiseres, mas comunica-te conosco.
O homem ia de canto em canto repetindo a mesma coisa. Salguerito olhava para Floriano, latia e, em seguida, ia se deitar na cozinha, ao pé do pilão.
Floriano passou dois anos inteiros procurando o tal tesouro. A cada mudança de lua, lá estava ele, mas nunca encontrava uma resposta. Removeu o piso da casa inteira, bateu em todas as paredes, revistou as janelas e nada.
Salguerito fazia sempre a mesma coisa: olhava para ele, latia e corria até a cozinha para atirar-se ao pé do pilão. Até que um dia Floriano se foi, dizendo que nessa casa não havia nenhum tesouro enterrado.
Mas um domingo, quando Ildefonsa estava socando milho no pilão da cozinha para fazer pamonhas, seus pés esbarraram numa espécie de alça enterrada. Intrigada, a mulher foi cavoucando e cavoucando com uma faca, até que apareceu não apenas a alça completa, mas a boca de uma panela de ferro. Era exatamente no lugar em que Salguerito costumava se enfiar para dormir e onde se atirava sempre que Floriano vinha procurar o tesouro.
Surpresa, Ildefonsa foi correndo chamar a costureira.
– Veja – disse-lhe –, há uma panela enterrada aí embaixo.
Imediatamente as duas mulheres empurraram o pilão e zás-trás! Apareceu o tesouro: uma panela repleta de moedas antigas de ouro e prata, jóias e pedras preciosas dos tempos coloniais. Estava logo ali, à flor da terra, junto à pedra de moer.
Dizem que à meia-noite, depois de benzerem a casa, a costureira e Ildefonsa saíram da cidade levando consigo não apenas o tesouro encontrado, mas também Salguerito, o cãozinho judiado que lhes deu o sinal preciso de onde estava enterrado o tesouro. Nunca mais se soube deles.

Abad Alfau e a caveira
Até mais ou menos o ano de 1905, via-se no alto da parede chanfrada da igreja do convento de São Domingos, que ficava na esquina da rua dos Estudantes com a rua da Universidade, na capital Dominicana, um nicho vazio, que desapareceu com a parede quando esta foi derrubada.
Entretanto, nem sempre esse nicho esteve vazio. Dentro dele, apoiada num pequeno suporte de ferro, havia outrora uma caveira, visível durante o dia graças à luz do sol e durante a noite graças à luz de uma lamparina de azeite pendurada no alto e que sempre era acesa ao toque do Ângelus, ao entardecer. Embaixo, como se fossem palavras saídas da boca da caveira, lia-se numa lápide rústica, em letras comuns, quase ilegíveis, escritas em preto:
Oh, tu, que passando vais,
Fixa os teus olhos em mim.
Qual tu te vês eu me vi.
Qual me vejo, tu te verás.
Muito tempo transcorreu sem que a caveira nem o verso chamassem a atenção do público. Até a noite que um morador do bairro, a caminho de casa, ouviu um ruído proveniente da caveira e, ao voltar os seus olhos para ela, observou que se mexia, inclinando-se para frente ou virando-se de um lado para o outro, como se dissesse:
“Sim, sim...” “Não, não...”
Ao ver tal coisa, saiu em disparada até chegar em casa.
A caveira, que àquela altura já não merecia sequer o olhar indiferente dos transeuntes, passou a ser, no dia seguinte, o tema de todas as conversas. Os prudentes não se aventuravam a passar de noite nas proximidades do convento. E os valentes que se atreviam a fazê-lo juravam que a caveira se mexia dizendo: “Sim, sim...” ”Não, não...” E ainda acrescentavam que ela movia as mandíbulas, que ria fazendo um barulho parecido ao das castanholas e uma porção de outras histórias.
Durante o dia, a caveira ficava quietinha. Por isso, o encarregado de acender e apagar a lamparina fazia isso sempre de tarde ou de manhã. O problema era de noite.
Os que moravam por ali, davam uma volta enorme para chegar em casa, a fim de se livrarem de ver a caveira. Nem mesmo os guardas da polícia militar ousavam se aproximar dessa esquina do medo.
Certa noite, desafiando o seu próprio temor, um desses guardas caminhou nessa direção e, ao ver os meneios da caveira, correu espavorido sem parar até o portão do quartel.
Abad Alfau tinha então dezenove anos e era subtenente do batalhão que cuidava da muito contrariado. Na noite seguinte, soube que um outro guarda havia dado uma volta para fugir da bruxaria da esquina e ficou mais contrariado ainda.
Ou acabo com essa palhaçada ou não me chamo Abad Alfau! – afirmou ele.
No dia seguinte, muniu-se de uma espada e esperou que anoitecesse. Mais ou menos às onze horas, dirigiu-se ao tal lugar que tantos temores provocava, levando uma espada na mão e acompanhado de dois soldados. Estavam a poucos metros da caveira, quando começaram os remelexos.
Ponham a escada na esquina! – ordenou Abad, antes que o medo paralisasse os seus companheiros.
De espada na mão, começou a subir. A cada degrau que subia, os movimentos da caveira para frente e para os lados ficavam mais violentos. Quando o subtenente já estava bem próximo dela, a caveira se mexia tanto que parecia querer girar sobre si mesma e de dentro dela saíam uns guinchos agudos. O jovem oficial, no entanto, continuava imperturbável. Finalmente, tão próximo do nicho que poderia alcançá-lo com os dedos, apoiou com força os pés num degrau enquanto com a mão esquerda se agarrava ao degrau mais alto, jogou o corpo para trás e, levantando a espada, acertou-lhe duas pranchadas que a fizeram dar várias voltas.
E aí se desfez o mistério. Porque debaixo da caveira saiu um rato de mais ou menos um palmo de comprimento, que pulou do nicho para a rua e se perdeu na escuridão da noite, enquanto Abad Alfau, descendo, exclamava:
Bicho safado!praça de São Domingos. Estava de serviço na noite em que o guarda correu de medo da caveira e ficou  muito contrariado. Na noite seguinte, soube que um outro guarda havia dado uma volta para fugir da bruxaria da esquina e ficou mais contrariado ainda.
Ou acabo com essa palhaçada ou não me chamo Abad Alfau! – afirmou ele.
No dia seguinte, muniu-se de uma espada e esperou que anoitecesse. Mais ou menos às onze horas, dirigiu-se ao tal lugar que tantos temores provocava, levando uma espada na mão e acompanhado de dois soldados. Estavam a poucos metros da caveira, quando começaram os remelexos.
Ponham a escada na esquina! – ordenou Abad, antes que o medo paralisasse os seus companheiros.
De espada na mão, começou a subir. A cada degrau que subia, os movimentos da caveira para frente e para os lados ficavam mais violentos. Quando o subtenente já estava bem próximo dela, a caveira se mexia tanto que parecia querer girar sobre si mesma e de dentro dela saíam uns guinchos agudos. O jovem oficial, no entanto, continuava imperturbável. Finalmente, tão próximo do nicho que poderia alcançá-lo com os dedos, apoiou com força os pés num degrau enquanto com a mão esquerda se agarrava ao degrau mais alto, jogou o corpo para trás e, levantando a espada, acertou-lhe duas pranchadas que a fizeram dar várias voltas.
E aí se desfez o mistério. Porque debaixo da caveira saiu um rato de mais ou menos um palmo de comprimento, que pulou do nicho para a rua e se perdeu na escuridão da noite, enquanto Abad Alfau, descendo, exclamava:
Bicho safado!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gostei do projeto, contudo acho importante postar a referência bibliográfica.
    Ver:
    http://www.pedagogia.com.br/projetos/contos.php

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